Até quando as diferenças entre o casal são saudáveis?
Se convivêssemos somente com pessoas iguais a nós não terÃamos nada a aprender uns com os outros. As diferenças nos dão muito trabalho, mas, em contrapartida, são elas que nos fazem crescer.
Um deve aceitar as diferenças do outro ou isso deve ser negociado? Como?
Ao conviver com as diferenças ampliamos a tolerância, a paciência e isso nos torna pessoas melhores. Mas isto não significa que vamos passar por cima de nossa própria identidade. Com autoconhecimento você identifica o que quer e o que não quer para si e negocia a continuidade da relação respeitando ambas as partes. Ao invés de brigar por sua posição, você pode negociar as situações. Uma boa forma de fazer isso é desenvolvendo a capacidade de colocar limites, expressando o “não” quando ele for necessário.
Aquela máxima “os opostos se atraem” pode funcionar no cotidiano de um casal, sem desgastar a relação?
É verdade que os opostos se atraem, inclusive sexualmente. Pessoas muito iguais se tornam mais amigas que amantes. Além disto, pontos de vista diversos enriquecem a convivência.
Qual o melhor caminho para os dois resolverem as suas diferenças?
Antes de tudo é importante que você entenda que o outro não pode, nem deve agir, pensar ou sentir como você. Cada uma tem sua própria maneira de se relacionar consigo mesmo e com os outros. Este já é um bom passo. Também é importante que você saiba expressar o que está bem e o que não está para você. Isto cria uma boa condição para negociar uma relação que seja satisfatória e feliz para ambos. Olhar e ver, ouvir e escutar, sentir e expressar, é o único caminho para harmonizar as diferenças entre duas pessoas.
Você acredita que cursos para aprender a seduzir realmente podem funcionar?
Durante muitos anos eu ofereci cursos de conquista e sedução, além de ter escrito muitos livros sobre o assunto. Mas, de um tempo para cá, eu prefiro trabalhar cada cliente individualmente, pois assim observo mais progressos. Existem alguns conceitos ou dicas que servem para todos, neste sentido um curso pode se mostrar útil, no entanto, cada pessoa tem sua própria história, sua dificuldades e talentos que merecem ser vistos de forma personalizada.
Eles funcionam para todo mundo? Quais são as pessoas que podem ter mais facilidade?
As pessoas que têm mais facilidade são aquelas que têm abertura para mudanças e permitem experimentar-se de outras formas, além das habituais. Outras, que vêm de uma repressão muito grande de sua sexualidade e sensualidade, não conseguem colocar em prática o que aprenderam teoricamente nos cursos. Daà minha insistência em afirmar que um acompanhamento personalizado pode ser mais adequado. Desta forma, pode-se trabalhar no timing de cada um, dando o tempo necessário para a pessoa assimilar o processo de transformação.
Pessoas tÃmidas e ansiosas conseguem por o aprendizado em prática?
Durante o trabalho que desenvolvo com uma pessoa eu vou sugerindo algumas tarefas como leituras, filmes, peças de teatro, aulas de expressão corporal, teatro, mudança de alimentação, atenção ao vestuário, visagismo, postura, tudo para que aumentem as chances na hora da conquista. Além disso, também trabalho com terapia para que ela possa vencer a timidez ou mesmo sair da ansiedade. A insegurança e a ansiedade podem por a perder qualquer conquista.
Quais são as suas dicas para mulheres que querem tomar a iniciativa na hora da paquera?
São muitas as dicas, mas talvez a principal seja você descobrir quais são seu pontos fortes como mulher e fazer uso deles sempre que puder. Perceba muito bem quem é a pessoa de quem está a fim, veja o que ele está precisando e preencha este espaço. Ele deve ver em você uma mulher imprescindÃvel para a sua vida.
As mulheres querem assumir este papel ou ainda esperam que os homens tomem a iniciativa?
Depende da mulher. Algumas ainda seguem o modelo antigo e esperam que os homens tomem a iniciativa. Acontece, porém, que muitos homens não fazem isto. Eles tem medo de se envolver, medo de levar um fora, medo de amar, medo de sua sexualidade. O que você faz diante de um homem assim? Você vai continuar esperando? Não seria mais apropriado você tomar a iniciativa de uma conversa, abrindo o jogo? Eu acredito que dá para uma mulher ser proativa na conquista, sem perder seu charme. É só uma questão de treino.
Treinamento em conquista:
Com Sergio Savian
011 2368-9305
www.sergiosavian.com.br

Estréia em 24 de março
Depois de escrever 13 livros sobre relacionamentos amorosos, Sergio Savian dedica-se agora à dramaturgia para se expressar. Encenado pela Apratim Cia Teatral “A Maçã – não houve um inÃcio, nem haverá um final†é um espetáculo bem humorado, com dança, música ao vivo e projeção de vÃdeos, que faz o público refletir sobre as ilusões e a transcendência dos desejos.
No primeiro semestre de 2012, a peça será apresentada em diversas cidades do litoral e do interior de São Paulo e Minas Gerais. Confira na agenda.
Antigamente não era preciso ser tão inteligente para se relacionar, pois o grau de exigência era bastante baixo. Existiam regras a cumprir, você engatava a primeira e caminhava pelo conhecido “caminho da roça”. Os contratos de casamento eram padrão e pouco tÃnhamos que questionar.
Porém, com o tempo, fomos nos informando melhor, nos conhecendo melhor e passamos a não engolir os muitos sapos da relação. O pavio ficou curto e falta paciência para encarar neuroses, machismos e outros tipos de comportamentos inconvenientes.
Quem ainda pensa e age à moda antiga, com relacionamentos focados na posse, na dependência e na falta de qualidade, ainda consegue suportar o casamento convencional. Mas, para aqueles que questionam tudo isso, ficou complicado ir adiante com uma relação, que passe por cima de sua própria individualidade, direitos e talentos.
O amor nunca esteve tão livre de regras e por isto mesmo exige que você tenha muita inteligência para estar junto de alguém. Mesmo assim, por mais habilidoso que você seja, muitas vezes o envolvimento mais profundo se torna inviável.
Conheço muita gente que desenvolveu grande capacidade de caminhar só e entende que este estilo de vida é o melhor. São pessoas independentes, de bastante autoconhecimento, que não precisam vitalmente de um relacionamento Ãntimo. Mesmo assim, sobra a vontade de ter alguém com quem trocar carÃcias e compartilhar a vida.
Mas não é fácil encontrar uma pessoa que esteja em sintonia com você para vivenciar o amor de uma forma mais inteligente, sem os vÃcios do passado. E, enquanto este amor não vem, uma boa pedida é você dedicar-se à experimentação da vida, com tudo a que tem direito, lembrando sempre que o isolamento é árido e interagir com os outros enriquece seu espÃrito, por mais mão de obra que se tenha.
Antes de tudo é preciso que você seja verdadeiro consigo mesmo. Isto significa que você se pergunte sistematicamente “Quem sou eu?” O que eu quero e o que eu não quero para minha vida?” Se não faz isso, mais cedo ou mais tarde sentirá que não está sendo fiel consigo mesmo.
Se você pretende construir uma relação boa, saudável, é fundamental que tenha a coragem de dizer para o outro quem você é. Se você vende gato por lebre, ora ou outra cairá em contradição e será pego em suas mentiras.
Hoje em dia ninguém quer abrir mão de sua própria liberdade para estar em um relacionamento. Você precisa sentir que tem autonomia para ir e vir. Só os cordeiros é que devem satisfação aos seus pastores que os monitoram para não se afastar do rebanho.
Mas como ser livre e verdadeiro, e mesmo assim, continuar na relação? Quanta gente tem esta coragem? Quanta gente se permite ser livre e permite que seu parceiro também o seja? O mais comum é a hipocrisia, o controle, a posse, o ciúme. Mas isto nada tem a ver com o amor.
Diante de todas estas dificuldades, muita gente opta por não se envolver, mas esta não é uma boa opção, pois assim fica devendo para si mesmo, pois a vida sem amor é um deserto emocional.
Como fazer então para equilibrar tudo isso? Como se envolver, deixar o amor fluir, mantendo sua própria liberdade, permitindo que o outro também seja livre e tudo isto temperado com muita verdade?
Esta é uma tarefa para os poucos que já entenderam que maturidade não é uma questão de ser politicamente correto e fazer tudo de acordo com um certo e errado ditado por quem quer que seja.
A maturidade vem do autoconhecimento e da coragem de ser autêntico, e ao mesmo se entregar ao amor, reconhecendo-o como soberano em sua vida.