Livro Virtual: A vida pede mudanças

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Livro virtual

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Introdução

Para que flua como um rio, a vida pede mudanças. Muitas vezes a necessidade de mudar vem de fora, quer seja no plano profissional ou pessoal, noutras vezes a necessidade é interior. Uma coisa é certa: quando você se acomoda por preguiça, medo ou indecisão perde a possibilidade de viver com tudo a que tem direito, mas, quando tem coragem para  mudar, é recompensado por seus méritos.

A vida caprichou comigo e posso dizer que ela sempre exigiu bastante de mim. É verdade que eu nunca escolhi os caminhos mais fáceis e por isto fui obrigado a lidar com questões bem complexas. Aos 22 anos eu me formei em engenharia pela Universidade de São Paulo e, com o diploma na mão, descobri que havia me equivocado na escolha da graduação, quer dizer, não tinha nenhuma vocação para ser engenheiro. Cinco anos após um intenso trabalho de auto-conhecimento, decidi fazer uma das mudanças mais significativas de minha vida. Depois de muitos cursos na área, decidi sair do emprego seguro e iniciar minha carreira como terapeuta corporal. A decisão era bem arriscada, mas aprendi que, quando nos direcionamos pelo melhor de nossas intenções, temos o apoio de Deus. Parece que ele gosta dos corajosos! É certo também que, antes de declarar-me fora da engenharia, fiz um “pé de meia”, que sustentou a mim e a minha filha por quase um ano. Tive que mudar também meu padrão de vida, abrindo mão de viagens, restaurantes e muitos outros confortos do mundo material mas, em compensação, esta mudança me devolveu uma incrível alegria de viver.

Quando jovens, nem sempre avaliamos os perigos e, por isso mesmo, nos arriscamos mais. Aliás, só desenvolvemos novas habilidades quando experimentamos o que é desconhecido. Ao optarmos sempre pela segurança, na crença de que o controle de tudo é o que nos garante o bem estar, cometemos um grande equívoco.

Certa vez um rapaz de vinte e poucos anos me procurou para o aconselhamento e fiquei perplexo com sua história. Ele me procurou porque queria se dar bem em suas conquistas, visto que não conseguia namorar nenhuma garota. Conversando com ele, percebi que seus dentes estavam muito feios e mereciam uma atenção especial. Sem isto, dificilmente alguma garota o quisesse beijar. Mas quando eu sugeri que procurasse um dentista, ele me contou que não podia se tratar, pois estava muito endividado, pagando as prestações de um terreno num cemitério bem chique da cidade! Eu fiquei abismado com o seu raciocínio e com as prioridades que ele elegia para si. Apesar de sentir-se muito frustrado por suas dificuldades, ele preferia garantir sua “casa própria” após a morte. É certo que essa história é bem exagerada, mas de alguma forma reflete a cabeça de muita gente que quer tudo controlado, quer a segurança total.

Sem riscos, a gente não desfruta a vida, sem perder a cabeça não há arte, você não se apaixona, não há poesia. Mas há que saber a dose certa. Se você se mete em encrencas, se não avalia bem suas finanças, se ultrapassa os limites saudáveis do corpo, pode se dar muito mal. Quando fazemos uma boa síntese entre a aventura e a sensatez, a vida tem um colorido sutil, a graça que é típica de quem adquiriu esse equilíbrio. Por isso, faça uma boa reflexão sobre as suas aspirações mais profundas, seus sonhos e talentos, que darão a direção a seguir e crie boas estratégias  para efetivar as necessárias mudanças.

Lembro-me de um dia, quando ainda trabalhava como engenheiro, em que eu estava me sentindo muito insatisfeito. Sai do escritório para tomar um café na rua. Foi quando vi passar um carro com vários jovens que se divertiam muito. A risada deles funcionou como uma pancada no meu coração angustiado. Fiquei com muita inveja deles. Tive saudades da época de faculdade, quando a vida era feita de muita esperança, de um horizonte sem fim de possibilidades. Aquelas pessoas do carro funcionaram como um espelho para mim. Eu me vi sério, sem graça, encolhido. Fiquei muito triste comigo mesmo. Havia me tornado um sujeito medíocre e eu não queria continuar assim, jogando os meus sonhos no lixo. Foi neste dia que eu decidi mudar. Ainda bem que o fiz, pois um ano mais tarde, bem dedicado à minha nova profissão, eu estava feliz por cuidar dos outros, feliz no que fazia, num bom contato comigo mesmo. Mal tinha dinheiro para comprar uma boa roupa, mas com certeza, vivia com imensa satisfação, sentindo-me realizado pela mudança que havia feito, leal a mim mesmo. Não me prostituía com um trabalho indesejável somente em função do salário no final do mês.

O tempo é sábio e vai mostrando os verdadeiros caminhos que devemos seguir, basta que tenhamos abertura e sensibilidade para compreender a sua linguagem. Durante a vida batemos em portas erradas, aprendemos com as experiências, constatamos o que não é bom para nós. Disso tudo vem o aprendizado e se você não resistir, acaba acertando o passo com o que a sua alma quer.

Imagine que você ganhou uma viagem para um lugar muito bonito e não sai do hotel, fica dormindo ou pensando como seria bom passear por lá. Esta é uma situação aparentemente sem sentido, mas é o que muita gente vive. Estamos aqui, vivos, e isso é um presente, uma espécie de milagre.

E o que você tem feito? Será que está aproveitando as incríveis oportunidades que a vida oferece ou está só matando o tempo de alguma forma? Quando você aprende a saborear o momento presente da forma mais íntegra, deleita-se com o viver, reconhece a importância disso e agradece. Se você está acordado, sente-se bem por mais um dia, e quando vai dormir, sente o prazer de se deitar. Curte cada momento, cada atividade: tomando banho, comendo, fazendo suas necessidades, trabalhando, amando, no sexo, tudo é especial. Assim, você pode viver tudo a que tem direito. Olha e vê; ouve e escuta. Participa deste mundo que proporciona tantas oportunidades e presentes.

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