
Tornou-se obrigatório você se conectar às redes de relacionamento, expondo cada passo de sua vida na grande vitrine virtual. Ali você coloca fotos, sua história de vida, seus gostos, hobbies, currículo e sua pretensa intimidade.
As chamadas celebridades têm suas vidas devastadas pelos paparasis e quem não é famoso faz isto de livre e espontânea vontade. Para que isso? Vaidade? Necessidade de ser aceito ou reconhecido pelos outros?
Até que ponto o que é publicado condiz com a verdade? Na peneira das edições, a realidade é recortada de acordo com as necessidades da imagem. O que interessa é o que os outros vão pensar de você, o que os outros esperam de você. O que menos importa é quem você realmente é.
Acontece que assim você acaba imerso em uma grande confusão: não sabe mais quem é e muito menos o que quer. Torna-se um ilustre desconhecidos de si mesmo! Ao meio de tanta conexão, você se torna extremamente superficial.
Compartilha a intimidade com que não conhece e na hora de dividi-la no dia a dia, não o consegue. É assim que você continua sedento de amor, numa eterna busca que parece nunca terminar.
Depois de escrever 13 livros sobre os relacionamentos amorosos, Sergio Savian dedica-se agora à dramaturgia para se expressar. Acaba de escrever o texto “A maçã – não houve um início, nem haverá um final”, contando a história de um casal que quer realizar os desejos mais íntimos e se decepciona ao constatar que seus sonhos não eram assim tão autênticos.
Com esta peça, que já está sendo montada para o primeiro semestre de 2012, Savian pretende proporcionar ao público uma boa reflexão sobre o que é superficial ou profundo , o que é verdadeiro ou não, na realização dos sonhos.
Saiba mais sobre este espetáculo que conta com música ao vivo, projeção de belos vídeos, dança e efeitos especiais em www.sergiosavian.com.br/amaca
Com 30 anos de profissão como terapeuta especializado em relacionamentos, Savian afirma que o amor e a intimidade com outra pessoa só ocorre ao desenvolver a intimidade e o comprometimento consigo mesmo. Mas isto é uma tarefa para os poucos corajosos que optam por se conhecerem melhor.
Na sua opinião, o amor tem prazo de validade? Por quê?
O amor é selvagem e não pode ser controlado. Quando você pensa que pode dominá-lo, é surpreendido. Por isso, não existem regras. Alguns casais conseguem manter o amor por toda a vida e são bem sucedidos. Muitos outros sentem que o amor vai perdendo a força. É mais sábio pensar que o amor nos acontece quando permitimos. Isto significa não deixarmos que as neuroses ou mesmo as convenções se sobreponham ao amor.
Qual seria esse tempo para o fim do amor de uma pessoa para com a outra?
Para que o amor sobreviva com vitalidade é preciso que seja cultivado em um meio propício. A paciência, a tolerância, a solidariedade, a aceitação e o perdão dão uma boa base para você amar. O perfeccionismo, a falta de coragem para ser autêntico e verdadeiro ou mesmo para ter um diálogo aberto, comprometem as relações amorosas.
Quais são os principais motivos que levam os casais a se separarem? Quais as maiores dificuldades que os casais encontram nas relações?
Um dos principais motivos que levam à separação é a má compreensão do que é uma relação amorosa. Idealiza-se e espera-se muito dela. A posse e o ciúme também são bastante maléficos. O jogo de poder, a disputa de egos detonam as relações. Talvez a maior dificuldade seja a falta de habilidade de enxergar a outra pessoa tal como ela é e não como você gostaria que ela fosse.
Como os casais podem melhorar as relações e viver em harmonia?
Melhorar as relações e viver em harmonia é um exercício que começa por você mesmo, por meio do constante exercício do autoconhecimento. Uma pessoa que não se conhece, que é ignorante de si, tende a ter relações complicadas. Uma pessoa que questiona a todo momento o que quer ou não quer, que é generosa, que faz escolhas conscientes na vida, que sabe se comunicar, se defender, que aceita a vontade de Deus e que está em contato com seus talentos, consegue ter mais sucesso nas relações.
Tenho 22 anos de idade. Pretendo comprar uma casa e morar só. A princípio, não pretendo casar. Quero casar quando eu tiver 30 anos de idade, seja por uma questão financeira ou de estrutura emocional. Pretendo fazer o seguinte: enquanto estiver morando só, vou namorar uma mulher ou várias por um bom tempo (5 anos) para adquirir experiência em relacionamentos, pois, já rejeitei vários namoros por estar focado em meus estudos e, portanto, não tenho muita experiência em relacionamentos. E pretendo ter um namoro sem sexo, pois sou cristão, e dependendo do namoro, pretendo casar. Porém, acho que não vou conseguir namorar sem sexo por cinco anos. E não quero casar cedo. Eis ai um conflito! Tendo em vista que sou evangélico (um homem que segue os princípios éticos da Bíblia) e que, portanto, não posso transar fora do casamento, e que pretendo namorar bastante para adquirir experiência em relacionamentos, o que devo fazer? Qual a atitude correta?
Você falando, parece que é uma máquina ou um computador programável. Mas no fundo você sabe que não é assim, que as coisas não funcionam conforme o planejado. Ainda bem! Significa que você ainda tem contato com o ser humano que é. Você não está sozinho nisso. Está cheio de gente assim: que se trata como se fosse uma máquina. Você acredita em manuais. Você acredita em certo e errado, sem levar em consideração que cada um de nós é único e são únicas as nossas possibilidades. Outra coisa: o amor é que nos acontece e não somos nós que devemos colocá-lo em uma jaula de regras e condutas. Pensando e agindo desta forma você nunca vai amar. No máximo será politicamente correto, mas isto não á amor. O amor combina mais com uma atitude corajosa e menos com o controle. O coração e a alma devem ser os soberanos e não a mente limitada por conhecimentos emprestados. Eu sei que é difícil para qualquer um ser autêntico. Dá medo. É mais fácil é seguir dogmas, fazer parte de um pensamento comum. Esta é uma forma de você não se responsabilizar. Você cumpre os deveres que vem de algum lugar. Mas, para amar, este caminho não serve. Só é possível amar a partir do conhecimento de si mesmo, de uma profunda conexão com você mesmo. Só assim você saberá o que serve ou não para si. Só assim você será verdadeiro o suficiente para amar.
Por que é tão difícil trabalhar em família?
Ter um relacionamento profissional com alguém da família não costuma ser uma tarefa fácil, pois alguns sentimentos profundos podem interferir no processo de trabalho. Por exemplo, quando os irmãos são pequenos, passam pela disputa de afetos e jogos de poder que se estendem até a vida adulta, muitas vezes de forma inconsciente. Mágoas, ressentimentos, auto-afirmação podem se manifestar em algum momento de tensão.
Como o trabalho e a fama, neste caso, pode atrapalhar a relação entre irmãos?
Todas as relações íntimas, inclusive entre irmãos, passam necessariamente por conflitos. No caso dos famosos, estes conflitos ficam mais evidentes, pois além de virarem notícia, envolve o trato com muito dinheiro. Além disto, a vida artística e a fama leva as pessoas a uma vaidade mais intensa que para a maior parte das pessoas. E a vaidade é um prato cheio para a briga de egos.
O rompante de Luciano foi o pico de uma situação de estresse que vinha sendo alimentada a anos. Como evitar que desgastes naturais de relacionamentos longos se acumulem “debaixo do tapete”?
A frase que mais me chamou a atenção do Luciano foi: “Eu não quero ser mais a segunda voz da dupla” e acrescentou, voltando-se ao público: “Se vocês quiserem, sejam a segunda voz dele”. Podemos fazer a seguinte leitura: “Não estou mais disposto a ocupar o segundo lugar” ou “Não quero mais ser a sombra do meu irmão” ou “Fiquem vocês com ele, eu estou fora”. É comum que em algum momento da vida façamos alguma coisa para nos auto-afirmar, ou em relação aos pais, ou aos irmãos mais velhos. É uma espécie de grito de independência. Um grito de autonomia: “Não aguento mais representar papéis. Quero ser eu mesmo e não aquilo que esperam de mim” Esta rebeldia uma atitude saudável, assim você acerta o passo com sua própria alma. Quem não faz isso, sente como se estivesse traindo a si mesmo e pode até adoecer se não o fizer.
O “mercado” está tão difícil mesmo ou são as mulheres que estão tomando atitudes que boicotam a vida amorosa?
A vida amorosa está complicada para todo mundo, não é só para as mulheres. Parece que grande parte das pessoas perdeu a paciência e a habilidade para se relacionar de forma íntima. Neste mundo de fórmulas fáceis, o amor não tem encontrado o seu lugar.
Fugir da rotina e mudar de ares pode ajudar uma mulher a encontrar um parceiro? Por exemplo, se matricular num curso novo ou entrar na academia, pode criar oportunidades e ajudá-la a não ficar restrita ao mesmo círculo de pessoas?
Você fica em sintonia com o amor quando se dispõe a experimentar novas formas de viver. O amor combina muito mais com atitudes corajosas do que com as intermináveis repetições.
Mulheres com níveis de exigência muito altos estão sabotando a sua vida amorosa? A busca por um cara perfeito – lindo, rico, atlético e ótimo de cama – pode ser irreal e infrutífera?
Homens e mulheres estão procurando por alguém perfeito, que não existe. Todo mundo está muito exigente consigo mesmo e com os outros. Só é possível amar se você entrar em contato com seu lado vulnerável e ao mesmo tempo aceitar que os outros e o próprio relacionamento são imperfeitos. Alguém que acredita em perfeição está vivendo num mundo de ilusões.
Muitas mulheres têm altos níveis de exigência para os parceiros, mas se esquecem de cuidar delas mesmas. Cuidar do visual e da saúde não pode melhorar a auto-estima e dar um gás na vida amorosa?
É mais fácil apontar os defeitos dos outros e não olhar para si mesmo. Uma pessoa que não aprendeu o amor próprio, o amor por si mesma, nunca conseguirá amar alguém ou se deixar ser amada.
Mulheres que estão preocupadas demais em encontrar alguém e falam disso o tempo todo afastam os pretendentes? O chamado “cheiro de desespero” assusta os homens?
Tudo fica mais fácil quando percebe que o amor é que acontece a você e não o contrário. Forçar a barra, ficar desesperada, reclamar dos homens, reclamar da vida, cobrar amor, tudo isso não funciona.
Ir com calma nos namoros também não é uma boa conduta? Afinal, declarar amor eterno no terceiro encontro pode ser um pouco demais.
Uma coisa é você se apaixonar, projetando no outro a sua carência, o seu desejo. Outra, é você desenvolver uma relação amorosa. No terceiro encontro não dá para declarar amor eterno, isso é coisa de alguém viciado em romances. Com os pés no chão, você espera um tempo para verificar até que ponto você estava certa ou não em suas percepções, em seus sentimentos.
Por fim, que dicas você daria para uma mulher encontrar um cara legal e manter esse relacionamento?
Se você quer um cara legal pergunte-se se você está sendo legal com ele. Por que um homem assim iria se apaixonar por você? O que você tem de especial para ele? Procure saber quem ele é, do que está precisando. Pergunte-se o que você tem para lhe oferecer. Aos olhos dele, você deve parecer uma mulher exótica, imperdível. E quando ele estiver caidinho por você, coloque um conta-gotas em seu desejo. Nunca o sobrecarregue com cobranças ou excessos. No geral os homens se assustam com mulheres muito afoitas.